Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

Prevenção também se ensina (II) 22 de junho de 2008

 

Um dos trabalhos de capacitação de educadores e de estudos e pesquisas da Germinal Consultoria foi desenvolvido para o projeto “Prevenção também se ensina” da Secretaria  de Educação de São Paulo e coordenado pela FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação). O trabalho envolveu o desenvolvimento de uma sistemática de avaliação para o projeto “Prevenção Também se Ensina” e a realização da avaliação do projeto em dois anos consecutivos (1996 e 1997). Abaixo, estão apresentados excertos do segundo relatório de avaliação.

 

 

RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DO PROJETO “PREVENÇÃO TAMBÉM SE ENSINA” – Segunda fase – 1997

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Grafitti - oreivainu.weblog.com.pt
Grafitti – oreivainu.weblog.com.pt

O Projeto Prevenção Também se Ensina, uma ação preventiva ao abuso de drogas, às doenças sexualmente transmissíveis (DST) e à AIDS nas escolas estaduais de São Paulo, promovido pela Secretaria de Estado da Educação e operacionalizado pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), tem como objetivo geral:

“Estabelecer, na Rede Estadual de Ensino, um programa de educação que propicie condições para o desenvolvimento da auto-estima dos alunos e do senso de responsabilidade sobre a saúde individual e coletiva, promovendo a redução do abuso de drogas e das DST/AIDS”[1]

 

 

 

 

 

AÇÕES ESTRATÉGICAS

Para atingir o objetivo proposto, foi desenhada uma estratégia que visava a implantação de projetos de prevenção em cada escola. Em sua formulação, a estratégia partia do princípio da autonomia das escolas. Previa que os projetos fossem elaborados a partir das necessidades específicas de cada unidade de ensino. Procurava tornar as ações de prevenção parte do cotidiano escolar. Por fim, no desenho da estratégia, foram articuladas seis táticas[2] básicas:

 

 

 

 

 

 

 1. Coordenação Central

Grafitti - oreivainu.weblog.com.pt
Grafitti – oreivainu.weblog.com.pt  

Nas demais Delegacias da CEI, 52 ao todo e geralmente localizadas em cidades menores, as oficinas de capacitação foram realizadas em 1997. As oficinas de continuidade serão realizadas em 1998. Além disso, em 1997 e em convênio como o Ministério da Saúde, um novo grupo de escolas das DEs da Coordenadoria de Ensino da Grande São Paulo (COGSP) e de algumas cidades do interior passou pelo processo de capacitação.  O presente relatório aborda apenas a avaliação das ações desenvolvidas em 1997, no âmbito do Projeto Prevenção também se Ensina (Ampliação). Não envolve as ações decorrentes do convênio com o Ministério da Saúde. Foi constituída, na FDE, uma equipe de coordenação central do Projeto Prevenção Também se Ensina. A equipe assumiu uma prática de gestão participativa e uma perspectiva construtivista para o projeto. Desta forma, tendo como ponto de partida as definições gerais, o Projeto foi sendo detalhado pelos envolvidos em sua operação.        

 

 

2.    Seleção e formação dos Consultores

Um conjunto de profissionais da área de Saúde e da área de Educação foram selecionados e capacitados para a atuação no Projeto. No processo de formação, foi coletivamente desenhada uma estrutura básica (objetivos, conteúdos, recursos didáticos) e esboçada uma metodologia participativa de ensino para as Oficinas de Capacitação. A metodologia das oficinas também postulava a construção coletiva do conhecimento, favorecia a mudança de atitudes e a superação de preconceitos através de dinâmicas de grupo, vivências e grupos operativos. Os consultores, organizados em duplas docentes, conduziram as Oficinas de Capacitação e de Continuidade. As Oficinas tinham como público-alvo educadores das Unidades Escolares (UEs)  e das Delegacias de Ensino (DEs). Os mesmos consultores, através de Reuniões Técnicas, assessoraram educadores das DEs  na coordenação local do projeto. 

 

 3.    Capacitação da equipe escola

Grafitti - Foto Catedral

Grafitti - Foto Catedral

Em toda Delegacia de Ensino, um grupo de escolas (de 5 a 10) foi escolhido para participar do projeto. Dessas escolas, um pequeno grupo de educadores participou de um programa de capacitação desenvolvido nas DEs por duplas de consultores. O grupo de educadores, estrategicamente definido, foi composto pelo diretor (ou vice-diretor), por um coordenador pedagógico e por um professor. Esses educadores, durante e após a capacitação, passaram a ser agentes multiplicadores de formação e promotores do projeto de prevenção de sua escola. 3.1. Capacitação/96Em 1996, em 51 Delegacias da Coordenadoria de Ensino do Interior (CEI) foram realizadas 3 oficinas de capacitação (uma de 8 horas e duas de 16 horas). No mesmo ano, as mesmas oficinas de capacitação foram desenvolvidas em todas as DEs da Coordenadoria de Ensino da Grande São Paulo (COGSP). Esse trabalho já foi objeto de avaliação.3.2. Continuidade/1997Em 1997, nessas mesmas Delegacias da CEI e da COGSP, foram realizadas duas oficinas de continuidade, com duração total de 32 horas. As Oficinas de Continuidade têm como alvo prioritário o acompanhamento da execução dos projetos de prevenção das escolas, formatados durante a capacitação. A avaliação da continuidade está contida no presente relatório.3.3. Capacitação/97 (AMPLIAÇÃO) na av. Luisa Todi, em Setúbal- graffitisetubal.blogs.sapo.pt

 

4.    Capacitação de equipe da Delegacia de Ensino

No mesmo processo de capacitação dos educadores das escolas, um supervisor de ensino e um assistente técnico-pedagógico (ATP) das Delegacias de Ensino foram também envolvidos. Tais profissionais, através de Reuniões Técnicas com duração de 4 horas (uma reunião para cada Oficina de Capacitação e de Continuidade), foram ainda preparados para compor a equipe de coordenação local do projeto “Prevenção também se Ensina”. A coordenação local tem por função assessorar, acompanhar e avaliar a implantação de projetos de prevenção às drogas e às DST/AIDS nas escolas de uma determinada Delegacia de Ensino.

 

5.    Aquisição, produção e distribuição de material didático

Foi implantado um processo permanente de aquisição, produção e distribuição de material didático (livros, textos, vídeos …). Os recursos pedagógicos eram (e ainda são) encaminhados para as escolas participantes do projeto e para as oficinas pedagógicas das escolas, como forma de viabilizar a elaboração, a execução e avaliação dos projetos de prevenção das escolas.

 

 

6.    Articulação de parcerias

No processo de capacitação, na elaboração e no desenvolvimento de projetos as escolas e Delegacias de ensino são incentivadas a estabelecer parcerias com a Secretaria da Saúde, conselhos municipais, associações comunitárias, Organizações Não-Governamentais (ONGs), centros de saúde e outras entidades que desenvolvem ações de prevenção e tratamento na região. As parcerias ampliam as possibilidades de capacitação, potencializam as ações de prevenção e podem dar suporte à continuidade dos projetos de prevenção das escolas após o encerramento do projeto “Prevenção também se Ensina”.

 

 

 

PERSPECTIVA OPERACIONAL E PRINCÍPIOS DE AVALIAÇÃO

 

I know one day Ill turn the corner and I wont b ready for it, Jean-Michel Basquiat
“I know one day I’ll turn the corner and I won’t be ready for it”, Jean-Michel Basquiat

 

A tática operacional básica do projeto “Prevenção Também Se Ensina” é a sensibilização, o estímulo e a formação de educadores para elaboração, implantação e avaliação de projetos de prevenção ao abuso de drogas e às DST/AIDS nas Escolas Estaduais de São Paulo. Para tanto, adotou-se uma metodologia de projeto, que incluía uma metodologia de avaliação.

 

Em relatório anterior de avaliação[5], afirmou-se que a mesma metodologia que orientava a elaboração e avaliação dos projetos de prevenção seria utilizada na análise do próprio projeto “Prevenção Também Se Ensina”. A avaliação dos projetos tem como referência principal o texto “Educação Preventiva e Vulnerabilidade às DST/AIDS e Abuso de Drogas Entre Escolares: Como Avaliar a Intervenção”[6], de José Ricardo de C. M. Ayres.

No relatório anterior, a perspectiva e os princípios de avaliação contidos no texto foram utilizados para avaliar as atividades desenvolvidas em 1996. O mesmo referencial serviu para elaborar uma crítica à sistemática de avaliação e aos instrumentos de avaliação então utilizados. A crítica deu margem à formulação e implantação de uma proposta de transformação de todo o processo de avaliação.

O presente relatório opera sobre os resultados de procedimentos e instrumentos de avaliação renovados. Mantém, no entanto, a mesma perspectiva teórica de fundo.

 

 (…)

 


 

FDE, Prevenção Também se Ensina, São Paulo, 1997, p. 12. 

[1]

[2]

Para melhor compreensão do conceito de estratégia e tática utilizados, ver: Matos

 

[3]

Ver o folheto Prevenção Também se Ensina, São Paulo, FDE, 1996. A obra antes citada, de 1997, é uma reformulação que já incorpora essa construção coletiva.

 

[4]

Uma avaliação quantitativa e qualitativa desse processo de capacitação pode ser vista no Documento 1 do Projeto Prevenção Também se Ensina: Küller, José A. e Rodrigo, Natália F., “Relatório de Avaliação”, FDE, São Paulo, dezembro de 1996.

 

[5]

Ver, Küller, José A e Rodrigo, Natália F., Relatório de Avaliação, op.cit.

 

[6]

Ayres, José Ricardo de C.M., Educação Preventiva e Vulnerabilidade às DST/AIDS e Abuso de Drogas Entre Escolares: Como Avaliar a Intervenção, in Série Idéias, 29, São Paulo, FDE, 1996, p.p. 25-42.

 

 

 

 

 

 

Uma sessão de aprendizagem da Estação de Trabalho de Saúde

 

O material publicado neste post refere-se a uma sessão de aprendizagem, retirada do Manual do Instrutor, da Estação de Trabalho de Saúde. A Estação de Trabalho é um dos componentes curriculares de uma versão alternativa do Programa de Educação para o Trabalho (PET), do SENAC/SP. O programa é destinado para jovens em busca do primeiro emprego. A versão alternativa foi criada pela Germinal e não chegou a ser publicada e implementada, pelo menos na forma aqui apresentada. O excerto deve ser encarado como uma amostra do trabalho que pode ser desenvolvido pela Germinal Consultoria.

 

 

 

SESSÃO I –  CONCEITO DE SAÚDE

 

Objetivos: esboçar uma caracterização do grupo de participantes em termos de hábitos e condições de vida. Possibilitar aos participantes uma primeira aproximação com a Estação de Trabalho, articulando-a com suas experiências de vida. Apresentar o conteúdo e a forma de desenvolvimento da Estação de Trabalho, adequando-os às expectativas do grupo. Iniciar a construção e interiorização do conceito de saúde, adotando como referência os conceitos propostos pela OMS e pela Oitava Conferência Nacional de Saúde (Brasil, 1986). Demonstrar a operacionalidade dos conceitos já construídos e em construção, em contraposição com aquele de ausência de doença. Identificar a realidade da própria cidade do ponto de vista da saúde, conforme os conceitos discutidos.

 

                       

Atividade 1: A integração do grupo

 

Foto do espetáculo Samwaad

Foto do espetáculo Samwaad do Projeto Dança Comunidade, reproduzida de http://www.ethos.org.br

 

 

 

 

 

 

 

A Estação de Trabalho é iniciada com dois estímulos incidentais, ambos já postos antes da entrada dos participantes. Uma música clássica suave (o primeiro movimento da Sonata nº 8 em Dó Menor, Op.13 (Pathétique) de Beethoven, por exemplo.), como fundo musical, e a projeção de um slide ou transparência contendo o seguinte excerto de poema:

 

 

 

               

              Telegrama de Moscou

Pedra por pedra reconstruiremos a cidade.

Casa e mais casa se cobrirá o chão.

Rua e mais rua o trânsito ressurgirá.

Começaremos pela estação da estrada de ferro

e pela usina de energia elétrica.

Outros homens, em outras casas,

continuarão a mesma certeza.

Sobraram apenas algumas árvores

com cicatrizes, como soldados.

A neve baixou, cobrindo as feridas.

O vento varreu a dura lembrança.

Mas o assombro, a fábula

gravam no ar o fantasma da antiga cidade

que penetrará o corpo da nova.

 

 

Drummond de Andrade, C. Telegrama de Moscou. In: A Rosa do Povo. Rio de Janeiro, Record, 1984, p.166

 

 

No ambiente, assim criado e assim mantido, o coordenador deve apresentar-se rapidamente e, logo em seguida, propor o desenvolvimento do “Jogo das Assinaturas”.

 

Jogo das Assinaturas

No “Jogo das Assinaturas”, cada participante recebe uma folha de papel contendo uma pergunta que deve fazer a todos os demais, colhendo as assinaturas dos que a ela responderem afirmativamente. As folhas de papel (sulfite) serão previamente preparadas e distribuídas ao acaso antes do início do “jogo”, contendo uma pergunta diferente em cada uma delas.

 

 

Perguntas do Jogo das Assinaturas

 

1. Você já precisou fazer dieta?

2. Você acha que seu peso e sua altura são compatíveis com sua idade?

3. Você se alimenta bem?

4. Você dorme no mínimo 8 horas por dia?

5. Você fuma?

6. Você conhece as formas de prevenção da AIDS?

7. No seu bairro há saneamento básico?

8. A sua rua é arborizada?

9. Você já precisou do atendimento médico de um serviço público?

10. Você considera importante o lazer para a sua saúde?

11. Você conhece algum portador do vírus da AIDS?

12. Você já vivenciou alguma situação de violência entre jovens?

13. Você tem um bom relacionamento com sua família??

14. Você já ficou “de pileque”?

15. Você conhece algum alcoólatra?

16. Você já tentou convencer algum amigo, vizinho ou parente a beber menos?

17. Você já estimulou alguém a tomar um “fogo”?

18. Você participa de algum grupo que mantém atividades comunitárias?

19. Você considera bons os serviços públicos de saúde de seu bairro (ou cidade)?

20. Você se considera uma pessoa que sabe perder?

21. Você pratica algum esporte ou exercício físico?

22. Você sabe o que é sexo seguro?

23. Você gosta de estudar?

24. Os seus vizinhos são solidários?

25. O bairro onde você mora é violento?

26. O seu ambiente escolar é saudável?

27. Você gostaria de ter mais amigos?

28. Você tem com quem conversar quando está triste?

29. Você respeita o meio ambiente?

30. Você gostaria de ser uma outra pessoa?

31. Você já organizou um evento esportivo?

 

 

A relação de perguntas do jogo de assinaturas, antes inserida, é uma sugestão. Procurou-se abordar os cinco campos de ação de promoção de saúde proposta pela Carta de Ottawa:

1) Construção de políticas públicas saudáveis;

2) Criação de ambientes favoráveis à saúde;

3) Desenvolvimento de habilidades individuais;

4) Reforço de ação comunitária;

5) Reorientação dos serviços de saúde.

 

 

Durante o exercício, todos (participantes e coordenadores) entrevistam a todos, tendo como referência a pergunta sorteada e visando a obtenção de assinaturas, a serem registradas na própria folha onde a pergunta está contida. Para tanto, todos deslocam-se livremente e ao mesmo tempo pela sala. Pode ser interessante manter o ambiente inicial (retroprojetor ligado, poema em foco, música suave…) e sua influência sobre o clima do grupo. Para o coordenador, essa é uma oportunidade para fazer um primeiro contato pessoal com cada um e uma primeira anotação e tentativa de memorização do nome dos participantes.

 

Completando essa fase, o coordenador registra os nomes dos entrevistadores (outro recurso de memorização), a pergunta atribuída a cada um deles e o número de assinaturas obtidas em relação a cada pergunta. Esses registros podem ser feitos em uma tabela traçada no flip chart, no quadro de anotações, em transparência ou no computador (data-show).

 

 

 

Atividade 2: Conceito de Saúde

 

Flor da Mungubeira - foto Riacho Alagadiço (Blogger)

Flor da Mungubeira - foto Riacho Alagadiço (Blogger)

 

 

Após os registros, o coordenador estimula o grupo a comentá-los. A partir desses comentários, o coordenador deve encaminhar o debate para a relação: questões e respostas obtidas / conceito amplo de saúde que se quer trabalhar. Finda essa fase, o coordenador apresenta sucintamente a estrutura da Estação de Trabalho e ressalta os pontos importantes do processo, principalmente a necessidade de participação de todos.

Divididos em pequenos grupos, os participantes devem pesquisar, recortar e colar/montar, ou desenhar e pintar cartazes que expressem um conceito de saúde. O coordenador assessora o trabalho, evitando manifestações assertivas sobre o conteúdo ou colocações do tipo “certo ou errado”.

Ato contínuo, os grupos apresentam os cartazes produzidos. O coordenador pode incentivar uma apresentação criativa dos mesmos (no interior de uma ação dramática, por exemplo). Feita a apresentação dos grupos, os participantes, em painel aberto, debatem as diferentes propostas em direção a um consenso sobre o conceito de saúde. Em seguida, a versão do grupo é contraposta à evolução do conceito de saúde dentro dos fóruns da Organização Mundial de Saúde.

 

 

 

Atividade 3: Avaliando a cidade

 

A atividade á iniciada com uma audição atenta e acompanhada pelas leituras das letras das músicas: A Cidade e A Cidade Ideal (A Cidade Ideal, de Enriquez – Bardotti, versão de Chico Buarque.).

 

 

 

 

Texto de Apoio 1: A Cidade

 

O sol nasce e ilumina as

pedras evoluídas

Que cresceram com a força

de pedreiros suicidas

Cavaleiros circulam vigiando

as pessoas

Não importa se são ruins

Nem importa se são boas

E a cidade se apresenta

centro das ambições

Para mendigos ou ricos

e outras armações

Coletivos, automóveis,

motos e metrôs

Trabalhadores, patrões

policiais,

camelôs

 

A cidade não pára

A cidade só cresce

O de cima sobe e

o de baixo desce

 

A cidade se encontra

prostituída

Por aqueles que a usaram

em busca de saída

ilusora de pessoas de

outros lugares

A cidade e a sua fama vai

além dos mares

No meio da esperteza

internacional

A cidade até que não está

tão mal

E a situação sempre mais

ou menos

Sempre uns com mais e

outros com menos

 

A cidade não pára

A cidade só cresce

O de cima sobe e

o de baixo desce

 

Eu vou fazer uma embolada

Um samba, um maracatu

Tudo bem envenenado

Bom pra mim e bom pra tu

Pra a gente sair da lama e

enfrentar os urubu

Num dia de sol

Recife acordou

Com a mesma fedentina

do dia anterior

 

 

A Cidade, de Chico Science, com Chico Science e Nação Zumbi, Isto É Show Pop Rock Brasil, CD 7

 

 

 

 

 

 

 

Texto de Apoio 2: A Cidade Ideal

 

CACHORRO 

A cidade ideal dum cachorro

Tem um poste por metro quadrado

Não tem carro, não corro, não morro

E também nunca fico apertado

 

GALINHA      

A cidade ideal da galinha

Tem as ruas cheias de minhocas

A barriga fica tão quentinha

Que transforma o milho em pipoca

 

CRIANÇAS    

Atenção porque nesta cidade

Corre-se a toda velocidade

E atenção que o negócio está preto

Restaurante assando galeto

 

TODOS         

Mas não, mas não

O sonho é meu e eu sonho que

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

Fossem somente crianças

 

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

E os pintores e os vendedores

Fossem somente crianças

 

GATA              

A cidade ideal de uma gata

É um prato de tripa fresquinha

Tem sardinha num bonde de lata

Tem alcatra no final da linha

 

JUMENTO      

Jumento é velho, velho e sabidão

E por isso já está prevenido

A cidade é uma estranha senhora

Que hoje sorri e amanhã te devora

 

CRIANÇAS       

Atenção que o jumento é sabido

É melhor ficar bem prevenido

E olha, gata, que a tua pelica

Vai virar uma bela cuíca

 

TODOS             

Mas não, mas não

O sonho é meu e eu sonho que

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

E os pintores e os vendedores

As senhoras e os senhores

E os guardas e os inspetores

Fossem somente crianças

 

 

Uma possibilidade de exploração das músicas:

As duas músicas falam de cidades. A primeira faz uma leitura de uma cidade real (Recife, Pernambuco). A segunda, várias leituras de cidade ideal (da gata, do cachorro) contrapondo-as com outras leituras das cidades reais (a voz de advertência das crianças). O ideal pode ser concebido a partir da crítica do real.

 

 As maiores utopias são formuladas no interior das crises mais severas. O real pode também ser criticado a partir de uma situação e condição desejada. A crítica do real e a concepção do ideal são feitos a partir de determinados pontos de vista individuais ou coletivos (Nação Zumbi, gata, galinha, cachorro, jumento,…). As distâncias entre o ideal e o real podem dar origem a propostas de transformação.

 

A Estação de Trabalho de Saúde vai trabalhar em torno de leituras da cidade do ponto de vista da saúde. Leituras a serem feitas pelo próprio grupo de participantes. Leituras orientadas pelo conceito de saúde elaborado na atividade anterior. Leituras da cidade real e outras da cidade ideal ou a ser construída: a cidade saudável. Propostas e iniciativas de transformação serão retiradas das diferenças percebidas. Parte dessas propostas serão relacionadas a iniciativas de prevenção ao uso abusivo do álcool e da busca do uso responsável do mesmo. Essas propostas serão, posteriormente, transformadas em projetos efetivos de ação comunitária.

 

 

Mapeando a cidade ideal:

 

O coordenador recapitula, auxiliado pelos participantes, o conceito de saúde construído na atividade anterior. Em função dessas referências, os participantes divididos em pequenos grupos, elaboram um mapeamento inicial da situação da cidade do ponto de vista da saúde (a cidade real).

 

Orientados explicitamente pelo conceito de saúde e, implicitamente, pelo de ações de saúde (reparação, prevenção e, especialmente, promoção), o diagnóstico será apresentado (na próxima sessão) tendo como suporte o mapa da cidade. Outras formas de representação podem ser adotadas. A cidade pode ser construída, visualizada e apresentada através de um desenho, de um croqui ou de uma maquete. Sobre o mapa ou forma de representação escolhida, os grupos indicam as condições e os equipamentos urbanos destinados à Promoção da Saúde. Também assinalam, distinguindo-as, as condições do espaço urbano que dificultam ou prejudicam uma existência saudável.

 

Os grupos concluem a construção e o coordenador solicita aos participantes que procurem obter, individualmente, para a próxima sessão informações que venham a complementar o diagnóstico, se necessário. Encerra a sessão, marcando para o primeiro momento da sessão seguinte a apresentação dos trabalhos.

 

Recursos: retroprojetor, transparência contendo o poema, aparelho de som, fitas gravadas com a música de fundo e as músicas-tema, letras das músicas impressas para todos os participantes, perguntas do jogo das assinaturas escritas em folhas de papel sulfite, revistas velhas, tesouras, tubos de cola, canetas coloridas, folhas de flip-chart, um mapa da cidade para servir de referência ao trabalho dos grupos.

 

 

Duração Prevista: 4 horas

 

 
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