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Resenha de Currículos integrados no ensino médio e na educaçãoprofissional: desafios, experiências e propostas, de Francisco de Moraese José Antonio Küller,São Paulo: Senac São Paulo, 2016. 398 p. 17 de dezembro de 2022

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 4:09 pm

Por Guido Cavalcante da Silva Filho Mestrado em Educação – MINTER UNINOVE/IFPIgeuidfilho@ifpi.edu.br

Francisco de Moraes e José Antônio Küller têm muitas coisas em comum nas suas biografias: são pedagogos formados pela Unesp; atuaram profissionalmenteem cargos de gestão no Senac São Paulo; são consultores educacionais (sócios diretores em empresas de consultoria); já atuaram como consultores da Unesco; e além da presente obra, de autoria dupla, os dois já publicaram obras individuais pela Editora Senac São Paulo.

O livro Currículos integrados no ensino médio e na educação profissional: desafios, experiências e propostas analisa propostas integradoras que abordam as questões da organização curricular e as possibilidades de sua operacionalização. A base para o livro foi um trabalho coordenado pelos autores para a Unesco no Brasil, realizado entre 2009 e 2011, que teve seus resultados publicados em 2013, com o título Currículo integrado para o ensino médio: das normas à prática transformadora.

A obra está dividida em três partes: a parte I é intitulada As teorias do currículo; a seguinte, parte II, é denominada O que há de melhor e é viável: experiências internacionais e brasileiras de currículos integrados; e, por fim, a parte III, que recebeu como título Protótipos curriculares da Unesco e outras formas inovadoras de organização curricular.

Na parte I aparecem cinco seções. A primeira delas, sobre currículo e currículo integrado, é uma síntese dos debates conceituais sobre currículo e integração curricular, tratando dos fatores mais críticos dessa questão. Os autores destacam que atualmente o conhecimento mais valioso para professores e alunos é o disciplinar, fragmentado em tópicos de conteúdo. Associam tal perspectiva com a pedagogia histórico-crítica, hegemônica no pensamento pedagógico brasileiro. A referida corrente parte, segundo os autores, de uma proposta que “tem um inegável fundo e uma consequência curricular certamente conservadores” (p.200 Dialogia, São Paulo, n. 24, p. 199-201, jul./dez. 2016

39). Defendem ainda que a divisão entre educação geral e profissional no Brasil é predominante na prática das escolas e que as tentativas de as integrar só conseguiram justapor currículos. E elencam ainda um conjunto de temas que precisam

ser considerados na proposição de currículos que integrem o ensino médio em si e o ensino médio com a educação profissional. São sete temas ou questões curriculares fundamentais, segundo eles:

 1 – Objetivos do ensino médio;

2 – Trabalho pesquisa como princípios;

 3 – Formas alternativas de organização curricular;

4 – Integração do ensino médio com a educação profissional;

5 – Metodologia de ensino-aprendizagem;

6 – Avaliação como mecanismo de integração curricular;

e 7 – Infraestrutura e pessoal docente e técnico administrativo.

Todos os aspectos analisados em seguida tomarão esses sete itens como referência.

Na seção seguinte, um panorama internacional da integração curricular, os autores destacam que um aspecto comum ao ensino médio na maioria dos países é sua indefinição ou falta de consistência quanto a finalidades e enfoques.

Discutem sobre experiências na Europa (Reino Unido e Espanha), Estados Unidos e América Latina.

Afirmam que “assim como no Brasil, talvez não seja apropriado afirmar que haja, na experiência internacional, uma integração do ensino médio com a educação profissional” (p. 78).

Outra seção, Integração curricular no Brasil, reúne parte da produção teórica sobre a integração curricular, com o que foi publicado em livros e documentos que circularam em instâncias normativas ou próximas a elas. Defendem que a perspectiva da forma politécnica (predominante na literatura sobre o currículo integrado), embora com finalidades diferentes, guarda certa similaridade com a perspectiva das competências. Entretanto, segundo os autores, há uma “demonização” do conceito de competência promovido pelo pensamento pedagógico brasileiro, embora as competências sejam valorizadas no resto do mundo.

As duas últimas seções da parte I são: A fala dos alunos e dos professores, onde são discutidos cinco estudos que dão voz a estudantes, professores, técnicos

e gestores (a implantação dos currículos propostos só se efetiva por meio desses

atores); e a última seção, A voz da norma, inclui a lei e outras formas de regulamentação, pelo fato de os autores entenderem que as normas educacionais brasileiras buscam estimular a inovação e a transformação social, aproximando-as da produção teórica.

A parte II da obra é denominada O que há de melhor e é viável: experiências internacionais e brasileiras de currículos integrados. A perspectiva dos autores é que, a partir das melhores práticas, é mais seguro propor, organizar e realizar novas estruturas curriculares que possam superar carências já diagnosticadas na maioria das ofertas educacionais de ensino médio e de currículos considerados integrados à educação profissional. Ressaltam que foram encontradas

pouquíssimas experiências curriculares de ensino médio integrado à educação

profissional. A maioria das iniciativas assim denominadas são, de fato, práticas restritas à promoção da matrícula única e justaposição dos currículos da educação profissional e da educação geral, sem que haja uma integração planejada efetiva.

As experiências destacadas foram: a do Ministério da Educação (MEN) da Colômbia; a do Conselho de Educação Técnico-Profissional da Universidade do

Trabalho do Uruguai (CETP – UTU); a Pedagogia da Alternância; os Ginásios

Vocacionais de São Paulo (1962-1969); a Escola Politécnica de Saúde Joaquim

Venâncio (EPSJV), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro; O

Centro Paula Souza, de São Paulo; o Proeja técnico, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC); e os casos da Coréia do Sul da Finlândia, por conta dos destaques no Pisa e na mídia brasileira.

Na parte III, Protótipos curriculares da Unesco e outras formas inovadoras de organização curricular, os autores discutem sobre soluções possíveis para garantir maior integração curricular. Tomam como referência os sete itens

do roteiro analítico, já citados, começando com um resumo das experiências e

recomendações teóricas ou exigências normativas. Em seguida, apresentam a

síntese da solução apresentada pelo grupo que elaborou os protótipos curriculares

para a Unesco, expondo as razões para as escolhas feitas. E depois concluem com

o posicionamento que assumem atualmente, considerando também os elementos

presentes nas experiências analisadas na parte II.

A obra é relevante por aglutinar diversas perspectivas de integração curricular, proporcionando parâmetros de comparação das diversas experiências. As

críticas dos autores ao pensamento predominante nos estudos e dispositivos legais

que tratam da integração (de vertente gramsciana) também são importantes por

mostrar que existem outras formas de enxergar a questão. Contudo, é necessário

um olhar crítico também em relação às ideias defendidas pelos autores do livro,

alinhadas com o modelo das competências

 

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