Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

VEJA de novo: Escola do Futuro ? 30 de julho de 2009

 

Dando sequência a uma discussão interrompida sobre arquitetura e educação, voltamos à Revista Veja. Em sua seção sobre educação, a revista publicou um Infográfico sobre a Escola e o Ensino do Futuro. Acesse o infográfico, clicando aqui.

 Veja infograf_escola_futuro

  

Serei breve. O ambiente futurista oculta o conservadorismo. O professor continua no centro da ação. Ainda é uma aula. A tecnologia é usada para manter a concepção pedagógica tradicional e dominante.

 

Em um conjunto de textos sobre arquitetura escolar, especialmente nos artigos: Arquitetura Escolar e Indução Pedagógica e Arquitetura Escolar e Aprendizagem Criativa consideramos que a disposição física da sala de aula era muito importante na superação dessa concepção pedagógica tradicional. Entre as mudanças propostas nos artigos, foi privilegiada a disposição das carteiras em círculo. O Infográfico mostra uma forma de desvirtuar o que a disposição em círculo tem de positivo: representar uma relação mais igualitária, facilitar e possibilitar uma comunicação aberta entre todos.

 

Do ponto de vista arquitetônico, talvez a mudança tenha de ser mais radical. Como na Escola da Ponte, talvez seja necessário abolir a aula, as classes e as salas que as abrigam.

 

Ver outros comentários a respeito do Infográfico em: Prof. Michel (http://webdigitaleducator.blogspot.com/2009/04/escola-do-futuro-onde.html) ; BlogNato: http://blognato.fisica-interessante.com/2009/03/escola-do-futuro-segundo-revista-veja.html e Tecnologias Digitais e Educação: http://tdeduc.zip.net/arch2009-03-29_2009-04-04.html.

 

Arquitetura escolar: As escolas mais legais do mundo. 6 de maio de 2009

 

 

Este post deriva de um texto indicado por Miriam Salles através do Twitter, creio que a propósito da blogagem coletiva proposta pelo Boteco Escola. O texto foi postado em BizRevolution e começa assim:

 

A World Architecture News soltou as finalistas do concurso que vai escolher o Educational Building of the Year. Seis são as candidatas finais para vencer o prêmio. 

 

The Australian Technical College, desenhada por Spowers, está localizada em um local de extremo calor, mas não precisa de nenhum ar condicionado. Ao contrário, a escolha é resfriada por ventilação natural e um canal subterrâneo que traz ar fresco para dentro do edifício. 

 

A foto do belo prédio do Australian Technical College você pode ver acima. Ler a continuidade do artigo em BizRevolution.

 

O  interessante da matéria, e que tenho também observado em todos os sites que tratam da arquitetura escolar, é que a concepção pedagógica raramente anima o projeto da construção escolar. São apresentados vários motivos para a escolha das finalistas: a ventilação, como no caso do Australian Technical College; os materiais utilizados, a configuração estrutural do prédio, a beleza…

 

Apenas uma das finalistas escolhidas o foi estritamente pelo desenho relacionado à concepção pedagógica: a “Jåttå Vocational School, de Henning Larsen, foi desenhada para funcionar com os novos modelos de aprendizado. Grandes salas de aula cercadas por salas menores para lições personalizadas“.

 

Outra observação importante: nos sites que tratam sobre arquitetura escolar e mesmo nas fotos referentes à premiação, a sala de aula aparece pouco. É como se todas as salas de aula fossem iguais e não houvesse nada de diferente para mostrar ali.

 

A sala de aula retratada na foto ao lado é da Britain’s Hazelwood School, desenhada por Gordon Murray + Alan Dunlop Architects, uma outra finalista do Educational Building of the Year.

 

É interessante notar que quando a sala de aula é mostrada e ela é adequada para o desenvolvimento de uma aprendizagem mais criativa, geralmente é destinada às crianças pequenas. Por que será?

 

Instituto Superior de Educação – ISE 1 de julho de 2008

O texto publicado a seguir é um excerto de um Projeto Institucional para um Instituto Superior de educação. A Germinal foi responsável pela redação do projeto, que não foi implementado. Seu desenho surgiu em resposta a uma norma que  implicaria em uma transformação radical no modo de formar novos professores. Mas isso não se deu. A norma foi contornada. O recuo normativo tornou a opção pelos Institutos Superiores de Educação menos atrativa.

Sonhar é preciso

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce… (Fernando Pessoa)

Independentemente das necessidades concretas constatadas, sejam elas qualitativas ou quantitativas, preexistiu uma inspiração.

Debruçados sobre a tarefa de discutir a viabilidade de um Instituto de Educação, um grupo de educadores, deparou-se com o esboço do desenho de um centro de formação de educadores. Esse desenho surgiu inesperadamente no decorrer da discussão (Deus quer, o homem sonha…).

O desenho inicial fascinou de pronto. Ele parecia, de modo quase mágico, explicitar, integrar e resumir um conjunto de aspirações daqueles educadores. Emergiam possibilidades de mudanças educacionais radicais a cada novo olhar. Por uma coincidência significativa, um desenho muito parecido caiu nas mãos do grupo. Era uma representação esquemática do curso da Bauhaus – a escola de arquitetura, design e indústria que revolucionou o seu campo de atuação no século XX.

O impacto revolucionário da Bauhaus ocorreu a partir dos alunos que formou. No sonho do grupo responsável pelo presente projeto essa perspectiva também estava posta. Ao enfrentar os dois problemas cruciais na formação do professor: a separação entre a teoria e prática docente e a fragmentação do conhecimento em disciplinas, o grupo já tinha estabelecido que isso só seria possível com uma mudança radical na concepção pedagógica e na organização curricular do ISE. Mas tal mudança não bastava. A formação de educadores competentes exigia, também, a transformação do campo de aplicação. Era necessário preparar agentes voltados para uma perspectiva de mudança radical na educação brasileira.

 

O desenho, assim, sugeria também uma concepção educativa. Nela, considera-se que o conhecimento efetivo que se transforma em competência sempre resulta do engajamento do educando em uma ação concreta, especialmente em uma ação criativa e transformadora. Aprende-se, de fato, fazendo. Aprende-se, de fato, formulando, executando e avaliando um projeto de ação criativa e transformadora.

A partir dessa concepção, a educação deve ser organizada em torno de problemas, desafios e, principalmente, de projetos de mudança. Proposto um projeto, o educando engaja-se na atividade de concretizá-lo. Para tanto, mobiliza o conhecimento já presente em seu repertório e parte em busca de conhecimentos novos e socialmente disponíveis em livros, textos, vídeos e outras formas de registro. Resolvido o problema, enfrentado o desafio, efetivado o projeto, o educando terá constituído um conjunto de novas competências para enfrentar criativamente as situações comuns ou inusitadas que preenchem o cotidiano da vida ou das organizações de trabalho.

No ISE, os projetos tratariam de criar, transformar ou melhorar as instituições, programas, currículos e/ou atividades educacionais, na situação concreta em que o futuro profissional irá trabalhar. Destinam-se a desafiar o participante a desconstruir o saber já pronto, a favorecer a construção do conhecimento e o desenvolvimento das competências pelo aluno. Esses projetos serão sempre relacionados com situações reais e objetivam mudanças efetivas nas formas de praticar a educação. Objetivam, sempre, formar um agente de mudanças.

Na perspectiva da formação do agente de mudança, a sala de aula é um espaço insuficiente para a atuação proposta e para a conseqüente produção de conhecimento dela derivada. A ação do projeto tem de transcender as divisórias da sala de aula e da escola. O espaço de aprendizagem precisa abranger todas as atividades educativas onde as funções profissionais ganham sentido e o profissional a ser formado possa enfrentar desafios capazes de desenvolver as competências necessárias à tarefa de transformação.

Não cabia, a partir do desenho inicial, a noção de estágio ou prática supervisionada. No estágio e na prática supervisionada, trata-se, no máximo, de aprender o trabalho tal como ele já está posto ou prescrito.

Aqui, não. Trata-se de assumir, no próprio processo educativo, toda a tarefa requerida por um ou mais campos integrais de aplicação (escola, programa, creche etc.), em toda a sua plenitude. O desenho do ISE implica na criação, gestão e operação de espaços educativos em permanente processo de transformação. Espaços educativos operados pelos alunos e professores do ISE durante o próprio processo de capacitação dos profissionais de educação.

No sonho, quando tornado realidade, não basta que os educadores em formação vivam em um espaço educativo já transformado: o ISE. Não basta, ainda, que experimentem a possibilidade de criar um espaço educativo novo: as escolas de aplicação ou espaços alternativos de experimentação. É necessário que também vivam o desafio e o processo concreto da transformação de uma realidade apresentada como dado objetivo. É preciso que atuem em sistemas educativos, tal como estão postos, e neles proponham e operem transformações.

Para tanto, não basta criar uma escola experimental isolada, de organização pedagógica e administrativa atípica, para ser o espaço de aplicação. A aplicação, sempre que possível, deve ocorrer no interior de sistemas educativos já consolidados e similares aos que os educandos atuarão no futuro. Os espaços de aplicação devem pertencer a um ou mais sistemas já consolidados.

Mesmo assim, já se sabe que a operação plena do espaço de aplicação pelos alunos e professores do ISE implicará que eles ganhem uma forma de funcionar distinta das outras unidades do sistema em que se inserem. É preciso complementar a idéia da escola de aplicação com a concepção de aplicação na escola. É preciso que a ação criativa e transformadora dos alunos do ISE, cerne do projeto, tenha os sistemas de ensino como searas do fazer.

O engajamento dos educandos em projetos de ação criativa e transformadora é mais dificultado do que facilitado pela organização curricular em disciplinas, vistas como recortes do conhecimento já acumulado pelo homem. Para tanto e por fim, no ISE, também é necessária uma nova organização curricular.

A implementação de uma nova concepção educativa, a formação de agentes transformadores, uma nova organização curricular, a criação de novos espaços educativos, uma contribuição efetiva na melhoria da educação nacional, em síntese, era a essência do sonho e do vislumbre criativo proporcionado pelo desenho esquemático inicial. É preciso, agora, concretizá-lo. É necessário dar corpo ao sopro criativo. Este, como sempre, é o trabalho mais difícil.

 

 
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